domingo, 15 de junho de 2014

Miley Cyrus...

Passados 4 anos da estreia da ex-estrela da Disney em solo lusitano no Rock In Rio Lisboa, ela está de volta como nova para um concerto na MEO Arena. Se no RIR conseguiu ter 88 000 pessoas presentes para a ver, este ano esteve longe de encher o recinto que se encontrava literalmente "às moscas", falou-se em 12 000 pessoas, não parecia nada... Bem, e lá fui eu para o meio da miudagem ver a tão falada Miley Cyrus que se em 2010 já dava início à sua "emancipação" da Disney mesmo que a última temporada de Hannah Montana estivesse ainda no ar, foi no Rock In Rio que deu que falar ao apresentar-se mais provocante como disseram na altura, já que acabara de lançar "Can't Be Tamed". De resto disse que ia deixar a música e dedicar-se ao cinema, viu que a sétima arte não era a cena dela (e não é mesmo) e voltou à música. Quem diria que ela sobreviveria para lá da Disney, a verdade é que quando o ano passado editou o primeiro single "We Can't Stop" ninguém diria que ela podia voltar a ser tão popular, mesmo que não seja pelos melhores motivos. Lingua de fora, twerks, toda a merda vale para voltar à ribalta, e resultou. Não é de chocar que seja nesta fase que tenha lançado o maior êxito da carreira, "Wrecking Ball". Há miúdas com t-shirts a dizer "R.I.P Hannah Montana", há bananas insufláveis... Mas olha-se para o público presente, e parece que nada mudou desde a menina da Hannah Montana, a maior parte são miúdas entre os 10 e os 16 anos muitas acompanhadas com os pais. Poucos minutos antes do começo do espectáculo anuncia-se que vai ser gravado para um posterior DVD da digressão. Miley entra em palco naquilo a que podemos chamar uma alegoria aos seus novos tempos e à fama que criou de não conseguir manter a língua dentro da boca, já que surge escorregando pela mesma (tão caricato e hilariante). Sim um ecrã gigante projecta a imagem da cara de Cyrus sendo que da boca sai um escorrega a recriar a sua língua em direcção ao palco, de lá sai a cantora obviamente. Na minha opinião foi bem jogado. "SMS (Bangerz)" é o mote do início do concerto com bonecos em palco, bailarinas, twerk, e até uma referência a Britney Spears com uma bailarina mascarada, já que esta faz parte da canção em alguns versos da versão de estúdio. O alinhamento é constituído maioritariamente pelo bem sucedido "Bangerz" que relançou a carreira de Cyrus o ano passado. Com tanto envolvimento em polémicas, até parece que é mais uma que se vai dar durante o concerto mas nem por isso, um twerk ali, uma simulação de orgia acolá... Nada que as outras não façam. Miley faz uma pausa para beber água, mais parece que tá a chupar uma piça, cuspindo água sobre as primeiras filas. De resto há uma competente entertainer à frente do público que apesar de não se esmerar a nível vocal (ela sabe cantar efetivamente), com um espectáculo visualmente variado com várias mudanças cénicas há mudanças no guarda-roupa, há um carro, há um cão gigante, há uma cama onde chega a simular o previsível entre bailarinas e bailarinos, chega a montar-se num cachorro gigante que voa sobre o palco... É concerto Pop ponto final. Miley tá mais preocupada em apelar aos presentes que protejam os animais do que falar em sexo ou drogas, mesmo que isso seja conteúdo das canções apresentadas, no fundo ela tá mais preocupada em dar o seu show do que propriamente ser muito polémica, isso fica para outros momentos, e o facto de não haver ali nada de chocante é o verdadeiro elemento surpresa do espectáculo. Quis cortar com o passado e em 2h30 encheu a set list com mais covers do que êxitos, dos outros tempos chegou "Can't Be Tamed" e "Party In The USA" já no encore a fechar o concerto com direito à Estátua da Liberdade e ao Monte Rushmore em palco e confetti e pirotecnia. A certa altura esteve num palco secundário onde num cenário simples apresentou vários covers desde Coldplay ("The Scientist", grande momento!), a Lana Del Rey, Bob Dylan, Outkast ou Dolly Parton. Até dois temas teve de repetir por questões de filmagem para o DVD da tour. Não tinhas mesmo reportório pa encher o alinhamento, que é feito das antigas "The Climb", "7 Things", "Fly On The Wall" ou "See You Again"? Tudo o que a aproximava dos tempos da Disney ficou de fora, só "Party In The USA" entrou. E guardou o que todos queriam ouvir para o final "We Can't Stop" e claro a mais cantada ontem há noite na MEO Arena, a óbvia "Wrecking Ball". Lá para o meio houve ainda tempo para uma "love cam" eu diria "ring cam" já que era um anel e não um coração, foi durante "Adore You" que Miley incentiva os presentes a beijarem-se enquanto são captados no ecrã... Filmam-se maioritariamente rapazes homossexuais aos beijos no golden circle.
E Miley bazou já eram quase 23h30, eu diria que o grande choque foi o facto de ela ter dado 2h30 de concerto, nunca pensei... Fiquei com a sensação que ela pode ser mais do que abanar o rabo e andar com a língua de fora, há talento ali pra mais, mas gostei mesmo não tendo cometido a proeza de esgotar duas noites como Beyoncé, de tudo tem para ser o espectáculo daquele estilo de música, mais interessante que por aqui vai passar este ano.
A tal entrada em palco...



O cachorro quente (quem é que faz isto?...)

segunda-feira, 17 de março de 2014

Vergonha...

Vai uma tempestade neste copo de vinho (riam-se), se calhar é só isso, mais um estado de falta de sobriedade, agora que optei por deixar o copo vazio a um canto... Talvez seja com o copo cheio que atinja a sobriedade.
"Escolho" mostrar mais de quem sou a quem eu acredito e confio, achei no mínimo importante, terei eu acabado por ceder à pressão? Epa ya, é verdade, lá se foi a máscara por breves instantes... Arrumei o Diogo que muitos conheceram, onde é que está o Diogo que ansiava pela próxima piela de quinta-feira? O Diogo que indiscutivelmente apanhava a puta num rali tascas? O Diogo que quer é festa e todos os eventos da faculdade? Foi-se... pelo menos por tempo indeterminado. Eu devia ter controlo sobre tudo como sempre achava que tinha, não era suposto? Estava-me a sair tão bem... Parecia que ao conseguir manter as aparências durante semanas/meses que levava isto até ao fim. Foi tudo por água abaixo, pensava eu que era feito de betão (seco pelo menos), parece irreversível, não passa daqui, ficou. Outrora eu quase acreditei que tinha total poder sobre as minhas escolhas e "estado psíquico". Mas enquanto se resume a mim, isto ainda vai para a frente - I can deal with that - caso escape para terceiros é quando a ferida abre, já não dá para lidar, cresce a culpa e os remorsos... É melhor nem pensar nisso, mas é inevitável não remoer sobre o assunto que já devia ter uma pedra em cima, vejo que a certa altura regresso aquela sensação de que não se é capaz de levar nada para à frente, ficar aí parado no meu canto. Entro no carro e é hora do espectáculo, é hora de desempenhar um papel cheio de improvisação (tá tudo bem). É a rotina dos últimos 7 anos, criam-se hábitos que se inserem nas rotinas (aula de Etnologia amanhã...). Detesto dar a parte fraca, por mim ninguém via nem uma lágrima a cair, nem que fosse dos olhos a arder por causa de uma merda qualquer... mas cheguei ao ponto em que perdi o controlo sobre a situação, já não me desligo. É um caminho que tenho de percorrer sozinho, nada feito, é o que tem de ser. Mudei o discurso, mencionava-me tímido, agora menciono-me inseguro, são conceitos distintos. Fica aquela vergonha implícita, uma espécie de humilhação indirecta que não se vê, sente-se. Sou uma pessoa, se calhar não parece desculpem se me enganei. Acordo e ligo o robot e fica tudo bem, desde que o sorriso esteja lá a "boa disposição", ninguém vê. Who cares? Hei de me apanhar de copo cheio decadente a questionar quem me vai virar as costas? Riam-se também, tenho de chamar o copo sempre, fodeu. Fui!

domingo, 26 de janeiro de 2014

A controvérsia da Praxe

Ia eu em mais um dos tantos passeios por Lisboa e no meio das gentes que atravessam as ruas do Chiado ou da Baixa, do Rossio ao Martim Moniz, era possível ouvir a conversa alheia e de como a Praxe e as mortes naquela fatídica noite no Meco constituem o tema do momento. Pudera... com a divulgação massiva a que se é exposto diariamente por parte da imprensa, isto em vez de ser algo que só deveria dizer respeito às famílias dos estudantes que faleceram na praia e respetivas pessoas relacionadas, não às ideias e sobreposições do Ti Manel ou da Joaquina. Corre tinta e tinta e a verdade essa ainda se sabe praticamente zero, enquanto essa não é revelada, vivem-se de teorias mal fundamentadas atiradas pela comunicação social e pela opinião pública seja no jornal, na tv ou nos comentários das redes sociais. Pois dessas teorias a comunicação social influência a opinião pública e informa que as vítimas estavam a ser submetidas a um ritual de praxe... "Várias testemunhas apontam para...", "Foram vistos com pedras atadas aos joelhos", "Deixaram os telemóveis em casa"... São várias as manchetes que correm desde o ano passado. Chego ao ponto de ver numa revista cor-de-rosa as imagens das famílias na praia de joelhos lavadas em lágrimas... Eu pergunto-me a que ponto é que chegamos, em que se pega nas mortes de estudantes levados pelo mar e se vendem histórias e teorias como se de uma notícia de que o Justin Bieber foi preso se tratasse. Hoje tivemos o Marcelo Rebelo Sousa em direto da TVI a comparar a Praxe com o bullying logo de seguida temos na Secret Story concorrentes a serem submetidos a um concurso em que têm de mexer em "bichos" para conseguirem ganhar 5000 euros, isto não é uma comparação, são só factos, opiniões. O ponto disto tudo está no facto de esta história ser alimentada para continuar a correr tinta devido à Praxe, a comunicação social sabe jogar, ela está a limitar-se a vender aquilo que o povo quer acreditar. Então passou-se a esquecer que morreram pessoas numa noite na praia, mas passou-se a lembrar que a Praxe deve ser abolida e culpada disto ou daquilo. Será sempre assim, ontem na Igreja eram todos violadores, hoje na Praxe são todos uns criminosos, é assim que a crítica funciona, é assim que a imprensa subsiste. Aquilo que eu mais desejo neste momento é que a verdade venha ao de cima, e que venha não para eu ou o vizinho saber, mas para pelo menos "esclarecer" a dor daquelas famílias que perderam os seus filhos naquela noite, porque enquanto nós estamos aqui a falar e a defender isto ou aquilo, estão a estas famílias a sofrerem e a serem bombardeadas pelos Media e pela conversa alheia. Deixando uma breve opinião sobre as críticas à praxe (sim, isto para mim são duas matérias distintas, mesmo que venha tudo na ordem dos factos apresentados anteriormente, e que exista uma suposta relação da praxe e do acidente), a comunicação social está já cheia de opiniões e de ideias difundidas nos últimos dias acerca da Praxe, e nas mais detalhadas eu vejo sempre na mesma linha Praxe, Bullying, abuso, violência... Há aqui muita generalização como é de costume e também muita falta de conhecimento sobre os temas. Eu sou caloiro eu ESCOLHI ser praxado, ninguém me obrigou e garanto que pelo menos no meu caso e no que assisto e tenho conhecimento não estou a sofrer de bullying, porque essa definição eu também a conheço melhor que ninguém, bullying é ser perseguido durante anos na escola, bullying é verídico, não é aquilo que a Praxe submete, esta procura integrar os novos membros na comunidade académica. Eu sou muito tímido e ainda assim escolhi submeter-me à Praxe, e passei uma semana inteira com um sorriso na cara, numa semana que comecei "inseguro", recordo agora com um momento surreal, inigualável e épico na minha vida. Arrisco em dizer que nem na escola primária a integração foi tão bem sucedida, e que mudou e muito a minha componente social. E não me contem a história de que não integra, porque se eu sou a pessoa introvertida que sou e através da Praxe eu dei-me a conhecer, após os cânticos, os gritos, as danças, havia sempre alguém que procurava conhecer mais e meter conversa. Houve e há sempre alguém que vem falar contigo quando estás em baixo, quando estás com uma puta de uma narsa e não podes ir para casa, alguém para te dizer que te estás a destruir... E não é que após uma semana de Praxe, entrar numa sala de aula a primeira vez é muito menos doloroso porque mais de metade das caras presentes já te são de todo familiares, porque durante a Praxe foste involuntariamente obrigado a conviver, a conhecer as pessoas que te rodeavam, a formular opiniões, a partilhar gostos, a rir... É claro que isto tal como as opiniões anti-praxe, também não é generalizável, isto foi o que me aconteceu, o que aconteceu ao vizinho do lado pode ser diferente. Com a Praxe reinventei-me, com a Praxe integrei-me.


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Entrar em 2014

Começando 2013 sobre a terra batida de um parque de um estacionamento com um vazio e sem motivação para subsistir num novo ano, dificilmente se prevê uma reviravolta para o final desses 365 dias.
Ora isto é tão simples quanto isto, em duas décadas nunca se fez a transição para um novo ano tão bem como neste. E é isso há quem sonhe com grandes festas (porque não?), Nova Iorque, Dubai, Amesterdão, Londres, Sydney, eu sonho acima de tudo com a companhia de pessoas que eu gosto e vice-versa não interessa onde. Nunca é 100% certo garantido, mas eu optei por acreditar que estaria certo. Dei início aos primeiros minutos/horas de 2014 no meio de uma vila na costa do sudoeste alentejano, e que cenário tão idílico que era, no local mais zen possível no meio da paisagem tão característica da planície alentejana com o mar na linha do horizonte. Melhor, seria pouco provável. Não estive para grandes exageros com o álcool para ter controlo total sobre as minhas acções, mas não me deixei de divertir. Até podia ter sido uma seca que tinha sido de igual forma a melhor passagem de ano da história. Então não? Foi aquilo que sempre quis em 20 anos, estar com um grupo de amigos fora da minha área de residência. Contudo, isto parece tão simples, mas é mais complexo do que aparenta ser, já que seria impensável isto acontecer ainda à pouco mais de um mês, este era o convite que eu não iria recusar. Agradeci e agradeci e acho que não chega para expressar a dimensão dos factos, estes ficariam explícitos e perceptíveis se pudesse ser folheado um livro ilustrado do meu passado. A única que coisa que soube fazer, foi deixar um sincero "obrigado". Estar naquele espaço com aquelas pessoas e estar com um sorriso na cara que não fosse fraudulento, é raro mas ultimamente tem vindo a ser frequente.
Acima de tudo preciso de me rodear de quem gosta de mim por quem eu realmente sou e não por aquilo que eu criei e faço passar... Foi uma noite bem passada. Sou agora mais "eu" do que ontem fui, mais transparente e a jogar menos à defensiva, tudo o que é demais enjoa e sinceramente não me apetece ir ao grego. O jogo continua. Obrigado a quem está do meu lado.

Até que enfim que estreei isto!

O sorriso desta vez era verídico.

Um bocadinho do paraíso xD

Um ambiente destes quase cura automaticamente uma ressaca.




  

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

2013 foi quase o Versailles

Agora que o ano está nos últimos dois dias, penso na maneira como começou, não foi nem com o pé direito nem com o esquerdo foi com os joelhos na terra batida a gritar pelo Sr Gregório enquanto soavam as 12 badaladas, foi presságio de um ano terrível, confesso. E foi quase assim... a primeira metade de 2013 foi negra, foi vazia, foi inútil... as coisas aqueceram já com o calor do Verão, e a temperatura foi subindo e subindo, quando se tem um ano tão em grande como 2012, dificilmente se supera ou se iguala. 2012 tinha uma unicidade muito específica, foi onde se arranjaram as ferramentas para utilizar em 2013 e levar o jogo para à frente. E o jogo passou ao nível seguinte, porque quando eu estou fora do campo de controlo sei exactamente o que fazer e para onde disparar, até porque vergonha cada vez a tenho menos. Mas tirando um Verão muito seco, há uma nova etapa a seguir, significa que vou dar entrada na faculdade... E chegou bem rápido pelo menos a dita semana de praxes, "vais levar com ovos na cabeça, vais fazer isto e aquilo, não sei se vais aguentar..." são alguns dos testemunhos de outros indivíduos que já passaram por semelhante noutros espaços. Mas vamos lá saber como é que é, pensei eu, primeiro dia foi mesmo o mais difícil, realmente ou eu desistia logo ali ou seguia com a semana até ao fim, e não foi por levar com ovos na cabeça ou farinha, isso é chato mas nem é o pior, quando se começa a ver as "figuras" que terceiros são submetidos, começa a crescer um sentimento de receio, mas eu vou ficar sempre lá atrás e ninguém vai sequer saber quem eu sou, pensei eu na minha ignorância. Cada caloiro tem de ter um nome/uma personagem, e já se via de tudo, polícias, Miley, Shakira, Liliane Marise, um Hitler... e eu permanecia ali sempre a tentar ocultar-me de quem exibia o traje académico. Mas no primeiro dia um veterano já me tinha desafiado e "intimidado", mas eu pensei que no dia a seguir já nem recordaria a minha expressão facial, mentira! Ao final do segundo dia sou outra vez abordado com várias questões sobre a minha pessoa nomeadamente onde moro, e foi aqui que tudo começou, mostrei que sabia demais e "fudi-me" (pensei eu naquele momento). Devido a Mafra e ao convento e ao querer falar demais mencionei as semelhanças entre este palácio e um outro francês, o tão famoso palácio de Versailles. E ficou logo ali o nome de caloiro inscrito na placa, até aqui parece tudo ok, mas quando é decidido o que vou interpretar... Só tenho de gritar que adoro baguetes em francês. As primeiras vezes até bloqueava a meio, e cada vez que lançava o grito a risota era geral, mas isto não seria nada comparando com o que se seguiria entretanto... Fui literalmente posto à prova, eu podia ter escolhido falhar e manter-me isolado e acabaria por cair no esquecimento, mas desta vez o caminho escolhido foi outro, e eu dei por mim a pensar que eu teria toda e qualquer lata do mundo para fazer qualquer coisa depois de tantas acções passadas descabidas. Então eu entrei no jogo, e se queriam que se cantasse alta e se gritasse, porque não? As primeiras vezes que sou mais exposto foi difícil mas eu ocultava e dançava, e gritava como se da pessoa mais extrovertida do mundo se tratasse, e a verdade é que a pessoa tímida e pouco comunicativa que era suposto ter sido a imagem passada, passou mas foi completamente ao lado, à frente de caloiros e veteranos estava outra pessoa, estava um outro nome, aquela era pessoa que todos iam conhecer naquela semana. Chegou o rali tascas e a minha personagem ganhou nova forma, pois se eu já fazia o que fazia sóbrio, imagine-se o que os copinhos a mais não iriam trazer, alguém teve a ideia de citar uma canção que é um clássico e que levou a minha personagem para outra dimensão, o "Lady Marmalade" com o sonante e sugestivo refrão em francês, "Caloiro faça uma dança para essa música e cante" e pronto mudou tudo ali, não sei como fiz aquilo, aliás foi muito fácil, estava sob influência do álcool, e pensei eu que aquilo só ia acontecer ali naquela tarde, enganei-me outra vez. Outro dos vários momentos que me marcaram naquela semana seria o leilão do caloiro, foi instituído que eu teria três irmãos de praxe, um inclusive já estava a passar por aquilo tudo pela segunda vez. E aqui, como é que se disfarça tão óbvia timidez e o controlo excessivo a que sou submetido, a primeira foi disfarçada quase com sucesso total, a segunda não. Não conhecia ninguém e sem copos a mais não havia muito a fazer, mas não foi desastroso, correu razoavelmente bem, esta seria noite para mais novidades na minha personagem, pois decido confidenciar nunca ter comido lasanha, e ali ficou quando já adorava baguetes e croissants, passei a adorar lasanha (e ficava tudo, lasanha porquê? é um prato italiano...) e lá explicava eu a razão. Naquela noite abriu-se caminho para a tentativa de criar um pedido minimamente original para ter padrinho até ao final da semana, e logo no dia a seguir aconteceu. Foi como a semana ou corria muito bem ou muito mal, podia ter ido tudo por água abaixo ali logo. Outros dos momentos que me marcou foi o desfile dos carrinhos de compras, quando dei por mim estava sentado dentro de um com um chapéu mexicano e outros adereços a gritar PARISSSSSSS  com sotaque francês no meio de uma canção criada sob pressão pelo nosso curso, eu só pensava que o carro iria virar a qualquer momento. Chegou o baptismo, e antes chegou o tribunal de praxes e a pena máxima, roçar no peixe e carne podre com larvas foi qualquer coisa... nojento muito nojento, mas o banho no Tamariz só não tirava o cheiro mas de resto era sinónimo de chegamos ao fim desta semana de praxes, e eu que nunca tinha ido aquela praia, foi preciso a praxe levar-me até lá. E pairava no ar a sensação de que aquela semana podia ter sido uma das melhores semanas de uma vida, e foi mesmo. Quando a tuna está sob o pontão a tocar a "Balada", que é literalmente um hino de devoção aquela instituição, a casa de estudantes, a ESHTE. A tuna tinha sido logo apresentada no primeiro dia, eu até era um bocado céptico em relação às tunas mas quando vi a Tunística no primeiro dia de praxe, fiquei em choque, porque aquilo tinha sido mesmo muito bom! As lágrimas caíram sobre muitos dos presentes naquela tarde solarenga na aclamada praia da linha, e encerrou-se aquela semana assim, em grande. Chegaram-se as aulas, vieram quintas-feiras académicas e que quintas-feiras essas. A praxe estava sempre presente e a "Lady Marmalade" não foi esquecida, teve de ser apresentada a quem ainda não conhecia, e que medo disso, quando desta vez a performance seria em modo pole dance (dança no varão). Tornou-se a rotina de final de quinta-feira à tarde, e os copos também claro, a minha personagem iria desenvolver-se mais ali naquele espaço no bar do quartel dos Bombeiros do Estoril. Ali eu ainda só não fiz o pino porque desde a dança do varão, à dança com um chapéu de chuva (outra canção para o reportório a óbvia Umbrella), essa que também já não foi esquecida e que se voltou a repetir já dentro do "bar" várias vezes, essa é uma das praxes mais difíceis que fiz e devo voltar a fazer, mas quando no final vem uma jola de borla, esquece-se tudo e dá-se tudo para que aquilo seja a cena mais cómica possível. Sem medos Diogo, sem medos porque o Versailles não tem vergonha, essa palavra não consta no dicionário dele, ele actua em qualquer espaço e local. O meu grito já quase durava um minuto porque após a lasanha lembraram-se de acrescentar a Torre Eiffel, "Avecs", e ainda queijo (fromage). Entretanto os copos começaram a ser demais, e pegar no carro nem pensar, e começou a ser comum sexta-feira após sexta-feira a roupa do dia anterior, os óculos de sol e a garrafa de água na mão. Foi quase sempre "divertido" até à campanha das listas, nessa semana foi sério e os copos já não "divertiam" só "destruíam". Por coincidência ou não a semana seguinte retirei-me por motivos de saúde até chegar quinta-feira claro, lá estava eu desta vez sem o copo na mão mas estava lá. Chegou a gala de Natal e os copos voltaram para me "divertir" outra vez.
Foram 3 meses muito rápidos mas aconteceu tanta coisa que eu pensava ser impossível, a verdade é que as praxes tornaram-se um pouco como uma terapia e um escape, e ainda tem muito pela frente... E foi impressionante como passados tantos anos foi possível criar amigos e estar mais à vontade e mais apto a combater obstáculos que se intrometem na minha frente, só tenho de ser eu a fazer o meu caminho, esta é uma viagem que só posso fazer sozinho sem ninguém a meu lado e sem controlo, porque é o controlo que me destrói sempre, é esquematizar ainda mais e prever acontecimentos próximos, é estar preparado para o que der e vier. Há quem diga que estou muito diferente, eu não acho estou igual, cresci um bocadinho só, mas isso faz parte, eu cá continuo, mas agora passei a ser o Versailles, e como foi assim que fui conhecido nesta nova etapa, não há qualquer problema em ser celebrizado por este nome para sempre, é só como uma versão 2.0 do Diogo.

2014 está quase aí, e será desta que se passa de um ano para o outro da melhor forma? O que é que me espera? A resposta será atribuída amanhã. O que é que 2014 vai ser? Logo se vê.
Boas entradas, divirtam-se!


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

De volta aos blogues...

Faz já muito tempo desde que andava nesta coisa dos blogues... Mas a pedido de várias famílias eu regressei a esta "indústria" do partilhar online num endereço que não seja o facebook, o twitter ou o tumblr... Pois muito bem, aqui vou postar tudo e mais alguma coisa, ao contrário dos outros blogues que tive que eram destinados a um tema só.

Sejam bem-vindos ao drama, à ironia, ao sarcasmo, à imprevisibilidade, ao ridículo, aos delírios de Versailles...