quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Hala Madrid

Depois de uma passagem um tanto conturbada pela capital espanhola há 3 anos numa "visita de estudo" (chama-lhe visita de estudo...) em que descobri qual era a sensação de "gregar" por causa do álcool, ou acordar sem saber como ali fui parar e que "maravilhas" tinha aprontado na noite anterior (o pior é que há fotos para a posteridade), voltei a Madrid para 2 dias desta vez sem fiesta.
Pensar que estive até ao último segundo a pensar em cancelar tudo até me deixa desmiolado, podia lá eu perder tal oportunidade...
Bem, cheguei a Madrid no Domingo de manhã, depois de várias horas dentro do comboio, lá estava eu na estação de Chamartin mais morto do que vivo, apanhou-se o metro para ir até ao hostel que estava no centro da cidade, logo veio uma viagem de metro com uma carrada de estações.
Check-in, deixa-se as malas na Maletera já que a entrada no quarto não pode ser feita antes das 15h, e toca a fazer "sightseeing".
Tendo uma noção de orientação na cidade facilita tudo, e começa-se pela Plaza Mayor que ficava a menos de 10 minutos do hostel. A Plaza Mayor é uma das imagens principais de Madrid aparece em tudo o que é postal, desta vez até estava em obras e pairava um arco-íris sobre a linha do horizonte. Não é melhor que o nosso Terreiro do Paço.
Tiram-se umas fotos e passa-se a outro sítio, o Palácio Real. Não entrei mas é decerto um dos edifícios mais interessantes da cidade é um tanto grandioso. E há polícia por toda a parte, há carros e carros da polícia, mas o que é que se vai passar ali? Bem prosseguiu-se a marcha até à Plaza de España para se entrar na mítica Gran Via.
A Gran Via é provavelmente a avenida principal da cidade, é uma rua extremamente comercial cheia de lojas das marcas do costume, cinemas, teatros, hotéis, restaurantes, etc... É local de multidões a atravessar aquela área a pé, afinal de contas é o coração da maior cidade da Península Ibérica. Mas a avenida estava parcialmente fechada ao trânsito, e mais polícia por toda a parte... E lá se perguntou o que se passava, era o Dia de la Fiesta Nacional, ou seja o Dia de Espanha, era feriado e ia haver um cortejo militar, e os reis de Espanha iam estar presentes na Plaza Neptuno.

Plaza Mayor

Palácio Real

Gran Via

E o passeio continuou até à Calle Alcalá onde a Gran Via termina com o mítico Metropolis a dividir as ruas, acho que aquele é um dos edifícios mais marcantes da cidade, cativa totalmente.
E o trânsito está cortado e vê-se uma enchente cheia de bandeiras espanholas na Plaza de Cíbeles, outro dos pontos mais emblemáticos a registar na capital espanhola. 
Sinceramente é uma das coisas que mais gosto naquela cidade. A praça tem uma fonte ao meio com uma estátua da deusa, que serve como rotunda, é tipo um Marquês de Pombal de Madrid. Ali encontra-se também outro edifício soberbo, o Palácio das Comunicações, é lindo!
E com a multidão por toda a parte não há fotos para ninguém e nem é possível rumar a Norte para a Puerta de Alcalá... Bem bora tentar ver os reis à Plaza Neptuno. Esta encontra-se cortada ao trânsito automóvel e pedonal, mas é possível ter uma vista para o evento assim ao longe nas ruas transversais, e lá se vislumbra a família real espanhola lá bem ao longe... Que pontaria!
Bem almoça-se pela Puerta Del Sol no sempre também mítico McDonald's, qual paella qual tapas, McDonald's é sempre toda uma inovação...

Para a tarde a sightseing tour continuou, voltou-se à Cibeles para tirar umas fotos decentes e prosseguiu-se para norte em direção à Puerta de Alcalá, primeiro vislumbre que tive de Madrid já em 2010. Entra-se pelo megalómano Parque del Retiro, e que grande que aquela merda é, mas vale muito a pena, principalmente pelo Palácio de Cristal e paisagem envolvente que é espectacular, e só para não falar que o espaço é extremamente agradável para ir correr e fazer outros tipos de desporto. Perderam-se 2 horas lá, e começa a chover. Caminha-se pelo Passeo del Prado, e vai-se ver a fachada do Museu do Prado e ver os preços de entrada... 18 euros se bem me lembro, fica para uma próxima!
Estamos pela Plaza Neptuno outra vez, esta praça que é palco de eventos como tinha acontecido de manhã, quando o Real Madrid ganhou a Champions foi ali que decorreu a fiesta.
Volta-se para o hostel por aquelas calles típicas, lembra o Bairro Alto e Alfama em Lisboa mas é bem distinto.

Metropolis

Puerta Del Sol

Plaza Cibeles

Puerta de Alcalá

Parque del Retiro

Palácio de Cristal

Museu do Prado

Plaza Neptuno

Ficamos num quarto muito peculiar, era Marylin Monroe por toda a parte desde a porta até às paredes do quarto, havia imagens da actriz por toda a parte, havia outros quartos com por exemplo Anne Frank.
Jantou-se pela Puerta Del Sol e deu-se uma volta pela Gran Via e Plaza de Cibeles, já que de noite Madrid tem outro encanto, há uma enchente nas ruas que é coisa impensável em Lisboa.
Dia seguinte, check-out às 10h30, tão cedo... é que por norma o meio-dia é o mais aceitável, mas enfim. Pequeno-almoço só inclui churros, não sei quem é que consegue comer aquilo logo de manhã. 


O quarto Monroe





O último dia na cidade significa também que vou vivê-lo grande parte sozinho, é o dia em que vou ver o concerto de Kylie Minogue.
Mandem-me pedras à cabeça, fuzilem-me, o que quiserem, digam que ninguém vai ao Estrangeiro e paga para ver essa mulher, caguei um bocado para isso... Este dinheiro que foi um ordenado ganho ano passado, guardei para uma ocasião que fosse especial, para muitos faz sentido comprar um telemóvel, uns ténis, uma roupa nova, para mim não, prefiro continuar com o telemóvel da "idade da pedra" e gastar o dinheiro em algo imaterial. 
Vamos ao que interessa. Chego ao Barclaycard Center por volta das 15h a fila está pequena, nem parece que vá haver ali um concerto. 
As portas abrem às 19h20 e quando dou por mim estou praticamente na primeira fila à espera que o concerto comece, e como dói estas esperas... Eu devo ser o indivíduo mais novo dentro daquele recinto que não deve ser maior que a MEO Arena, já que a maioria dos presentes deve ter dos 30 para cima, e uns 80% são homens e tudo homossexual, mas onde é que eu me fui meter... Já imaginava para onde ia. 
21h30 começa o concerto, Kylie e a pontualidade britânica mesmo que seja australiana, vive em Inglaterra portanto é quase adoptada pelos britânicos. Há um palco com uma passerelle, ecrãs gigantes, uma estrutura metálica na frente do ecrã, e um jogo de luzes impressionante. 
Não é o espetáculo que apresentou na digressão passada em 2011, já que dificilmente supera aquilo que foi provavelmente o espectáculo mais megalómano e ambicioso criado por uma artista feminina, mas... continua a ser um concerto de Kylie Minogue, e só por aí já se sabe que há bom espectáculo (gostando-se ou não do reportório).
O mote desta turnê europeia é a promoção do álbum Kiss Me Once que foi um fracasso, o que se traduz na criação de um espectáculo mais simples do que as últimas digressões mundiais da cantora. 
Minogue entra deitada sobre um "sofá" que recria os lábios com batom vermelho da cantora ao som de um tema do novo álbum, "Les Sex". 
Está montada uma pista de dança gigante, já que o reportório de Kylie é maioritariamente aquilo a que se chama de Dance Pop. E vai tudo dizer "ahhh mas isso é tudo a mesma merda, Kylie, Britneys, Beyonces, Rihannas, Katy Perrys, não cantam nada, fazem playback e usam auto-tune...". Não é bem assim.
Kylie Minogue é aquilo que uma cantora Pop deve ser, apresenta durante 2 horas um espectáculo visualmente atractivo e extremamente competente, o que é que eu quero dizer com isto? Kylie canta ao vivo todas as canções e canta bem, muito bem, é extremamente afinada e pode surpreender os mais cépticos, a certa altura Minogue "alonga" a sua voz e chega mesmo para além de emitir notas longas e altas, chega a cantar ópera... Sim isso mesmo, Kylie Minogue consegue cantar ÓPERA! Foi durante "Your Disco Needs You", registei esse momento em video que vou deixar abaixo o link.
E para quem pensa que também é uma Diva sem maneiras como muitas outras, nope. Esta não só tem classe como é extremamente comunicativa com o público chega a dar um autógrafo e já lá mais para o final leva um fã para o palco para tirar uma selfie e cantar em acapella com ele. Brilhante no mínimo que uma artista consiga demonstrar tanto prazer e empenho por estar em palco, realmente esta mulher nasceu para aquilo, tá-lhe no sangue. 
Não é a primeira vez que vejo um concerto de Kylie Minogue, já tinha visto em Lisboa em 2009, o problema é que não estava lá ninguém e foi um fracasso de bilheteira, gostos são gostos!
Foram 2 horas muito bem passadas, o alinhamento foi maioritariamente baseado nos êxitos conhecidos do público, Kylie é daquelas artistas que assim de repente ninguém sabe quem é, mas quando se dá conta, conhecemos umas quantas músicas que passaram na rádio há milénios atrás, isto aconteceu comigo. Constaram na setlist temas como a mais célebre "Can't Get You Out Of My Head", "I Should Be So Lucky", "Love At First Sight", "Spinning Around", "Slow" ou "In My Arms". Há canções que não simpatizo, nomeadamente as do início da carreira como "The Locomotion" ou "Never Too Late", e já de 2000 "Your Disco Needs You", esta última vale a pena ao vivo pelo momento de ópera claro. 
Para o final fica "All The Lovers" e já no encore "Into The Blue" que mostrou o novo álbum, pena que não tenha tido sucesso já que foi provavelmente o melhor single que Kylie editou nos últimos anos, e uma das melhores canções do género editadas este ano.
Por detrás de Kylie há uma equipa também competentíssima que vai da banda aos bailarinos, ela chega mesmo a interagir com todos os elementos do palco durante o concerto.
Passaram 2 horas a correr, e valeu a pena claro que valeu, foi o concerto que mais gostei, pensar que tive para não aparecer e cancelar a viagem, teria sido um erro tremendo, não me arrependo nada, missão cumprida!
Dormir nos bancos do aeroporto é que não teve graça nenhuma mesmo já não ter sido uma estreia nessas andanças, não se dorme um piço. às 10h15 da manhã estou com os pés em Lisboa, que pena!
Tanto Madrid como Barcelona são a minha cara cada vez me convenço mais disso, mudava-me para qualquer uma amanhã já... Keep dreaming...































sábado, 20 de setembro de 2014

Ser veterano

Parece que foi ontem que comecei a primeira semana de praxe como Besta, ainda é tudo tão recente, sendo que na verdade já se passou 1 ano... Quem diria 1 ano, não parece nada. E se for visto de outra perspectiva desde do Enterro do Caloiro e do Traçar da Capa só passou praticamente o Verão. Pois é, entretanto lá se foi o Verão, um estágio fantástico, e o 2º ano de Informação Turística já está no ar.
Começou a semana de praxe na ESHTE e desta vez estou do lado de lá, trajado ao lado dos meus colegas que também passaram pela praxe comigo e ao lado dos restantes veteranos que ainda há pouco nos praxavam.
Este ano parece que são menos do que o ano passado, num ano em que a Praxe tem sido temática preferida da imprensa e alvo de crítica destrutiva, até há um email do Governo para notificar praxes abusivas, admiro quem se entregou e aderiu à Praxe este ano. Agora que circulo em espaços públicos trajado percebo o que é ser então olhado de lado por exibir o traje académico, até podia nem estar ligado à Praxe mas o que o povo vê no traje não vai para além disso.
Não fui tão activo enquanto veterano como fui enquanto besta, ainda é tudo tão recente que é estranho estar a praxar os caloiros e a metê-los de prancha, até dá vontade de tar do lado deles a gritar e a dançar. Por outro lado consigo rever-me um pouco nos caloiros que se entregam, que vão ao leilão do caloiro, que levam com toda a porcaria em cima, e no final do dia o mais importante é que todos estão a conhecer-se e a divertirem-se. O Jajão deve ter sido a banda sonora da semana de Praxe deste ano certamente.
Tal como pretendia, ensinei a caloirada a dançar as Bananas United, música que eu sempre armei espalhafato quando estava do outro lado, continuo a dar barraca ainda hoje. Durante o convívio toca o "Show das Poderosas" e lá vai o Versailles para o meio da caloirada dançar pela milésima vez, foi estranho vê-los gritar o meu nome sem mal me conhecerem...
A pior parte desta semana foi o facto do tempo não ajudar em nada, então o rali tascas foi um dilúvio.
Chego ao final da semana com dois afilhados, revivo as memórias do peixinho e dos ossinhos e do caixote do lixo também, o mítico Pai Boda no túnel do Tamariz acontece com toda a entrega, e os caloiros correm para as águas do Tamariz.
Após o baptismo, a Tunística atua sobre o areal do Tamariz, ouve-se a tão esperada "Balada" no cenário mais idílico possível, "O Tamariz ao pôr-do-sol é o mais belo de se ver, estudar aqui é uma honra agradeceremos até morrer...", vêem-se lágrimas a cair da canção que resume basicamente o espírito do ser eshtudante.
Uma caloira chega-se à frente dos veteranos e agradece tudo o que se passou nesta semana, a praxe é tão má e tão ridícula que os caloiros até agradecem, é a imprensa que está certa claro.
É a vez dos veteranos correrem para o mar, saltarem do pontão, sabe bem este último banho de Verão.
Foi bom voltar a casa e ver que nada se perdeu e reviver memórias e reencontrar pessoas que nos marcaram e marcam nesta vida académica que é algo tão único e precioso.
Viva a Comissão de Praxe, Viva os Veteranos, Viva os Caloiros, e Viva a Praxe!
Para a ESHTE não vai nada nada nada? TUDO.




Obrigado ao Frutas pelo excelente trabalho a tirar estas fantásticas fotos acima. https://www.facebook.com/frutografia?fref=ts













segunda-feira, 14 de julho de 2014

O Alive que já não é Optimus

Podia ser só mais um ano de Optimus Alive, mas esse festival já não existe, agora só há o NOS Alive... Parece ridículo mas não é de todo porque se o festival do Passeio Marítimo de Algés começou por ser Oeiras Alive antes de ganhar a reputação de hoje que já ultrapassa fronteiras, depois o patrocínio da operadora móvel Optimus deu-lhe outra designação que foi como ficou conhecido, mas com a fusão da rede móvel com a Zon passou a NOS, e bem... pratos da marca Continente everywhere, pelo menos o logótipo adoptado pela marca lembra os pratos. Acontece que quando se deu essa fusão já o Optimus Alive tinha o cartaz bem composto e milhares de bilhetes vendidos, enquanto que o Optimus Primavera Sound passou logo da noite para o dia a NOS Primavera Sound (claro que este foi importado de Barcelona, e é relativamente recente e as pessoas fazem outra associação). Então o agora NOS Alive passou por uma campanha de divulgação mais cuidada e minuciosa, isto pelo impacto que tem por essa Europa fora, expliquem lá aos 15.000 estrangeiros que vieram ao festival que já não há Optimus Alive. Anyway, entrava-se no festival e era já tudo NOS, o pórtico tinha um tecto a recriar o logótipo e com uma inscrição na parede a incentivar os festivaleiros a tirarem uma selfie com o logótipo no tecto.Vamos ao que interessa, parece que sempre que vou ao Alive há algum stress, bom pelo menos na última vez, a primeira em 2010 que fui ver La Roux decorreu normalmente... já em 2011 várias bandas do palco principal viram os seus concertos cancelados deviado a uma queda de uma viga do palco... bom os cabeças-de-cartaz ainda actuaram com parte do set reduzido, os 30 Seconds To Mars, e que para além de toda aquela situação, o concerto de memorável nada teve... Se eu soubesse tinha ficado em casa. Este ano fui ao último dia do festival para ver Bastille e Foster The People. A ventania que estava ao final da tarde fazia com que a única coisa que se respirasse era o pó que pairava no ar... A variedade de gente que se vê naquele festival vai das pitas com as bordas do cu quase de fora, a gajos mascarados de vacas, bananas, patos.... sei lá vê-se tanta coisa, ouvem-se falar 1001 línguas diferentes... O cenário no palco principal tá calmo enquanto os Black Mamba atuam e chegam a ficar sem som, sem darem conta prosseguem e ficam ainda largos minutos sem se ouvirem... Chega a hora da estreia dos britânicos Bastille e está já uma multidão focada no palco NOS, o concerto começa com a banda a interpretar vários temas de "Bad Blood" deixando para o fim as melhores cartas do baralho, "Off The Night" e "Pompeii". Chega "Pompeii" e instala-se o caos para ouvir o maior êxito dos Bastille, mas nem ao refrão chegava e adeus som... As colunas de som assim ficaram até ao fim da canção, a banda tocou a música de facto mas a única coisa que se ouvia era a multidão a entoar a letra da canção, nada mais. Chega ao fim o vocalista Dan despede-se do público português e voilá... Não houve "Pompeii" para ninguém, set completamente arruinado, mais tarde a banda publicou uma mensagem sobre o sucedido no twitter. Ainda assim foi o concerto que mais me cativou também era a banda que realmente queria ver naquela noite. Lá para o meio ainda foi possível ver nos ecrãs uma miúda nos ombros de um rapaz que ao ser captada decide que era interessante para as pelo menos 30 mil pessoas que lá estavam verem as suas mamas, mas tudo bem ninguém se queixou... Chegaram os Foster The People também em estreia em palcos lusos (já viram pelo menos uma actuação cancelada em solo nacional), com dois álbuns na bagagem, os americanos são essencialmente conhecidos por uma canção "Pumped Up Kicks" e foi sabiamente guardada lá para o final, foi o momento karaoke de se esperar. Mas têm outras canções bem interessantes no reportório, a recente "Best Friend" ou "Houdini". Ambas as bandas são literalmente Pop, sendo que a primeira parece recorrer mais a sintetizadores do que a segunda, faz lembrar músicas dos anos 80 a certa altura... Mas os cabeças-de-cartaz eram os britânicos The Libertines, e apesar de serem um fenómeno no seu país, por aqui não havia muita gente interessada em assistir ao concerto da banda indie, havia espaço para dar e vender durante a actuação quase exclusiva já que apesar de terem anunciado o lançamento de um novo álbum de inéditas para o ano que vem, não estão a dar muitos concertos para além de um outro com destaque para o do Hyde Park. Fizeram a cena deles e saíram de cena, para quem esteve interessado, gostou de certeza. O palco Heineken rebentava pelas costuras para ouvir os Daughter, não vi muito do concerto, não tinha curiosidade sequer...
Para o ano quem sabe há mais!



E não é que houve direito a NOS Air Race??
Os Bastille
Foster The People
The Libertines
Não resulta, tirar fotos a mim próprio nunca vai resultar




domingo, 15 de junho de 2014

Miley Cyrus...

Passados 4 anos da estreia da ex-estrela da Disney em solo lusitano no Rock In Rio Lisboa, ela está de volta como nova para um concerto na MEO Arena. Se no RIR conseguiu ter 88 000 pessoas presentes para a ver, este ano esteve longe de encher o recinto que se encontrava literalmente "às moscas", falou-se em 12 000 pessoas, não parecia nada... Bem, e lá fui eu para o meio da miudagem ver a tão falada Miley Cyrus que se em 2010 já dava início à sua "emancipação" da Disney mesmo que a última temporada de Hannah Montana estivesse ainda no ar, foi no Rock In Rio que deu que falar ao apresentar-se mais provocante como disseram na altura, já que acabara de lançar "Can't Be Tamed". De resto disse que ia deixar a música e dedicar-se ao cinema, viu que a sétima arte não era a cena dela (e não é mesmo) e voltou à música. Quem diria que ela sobreviveria para lá da Disney, a verdade é que quando o ano passado editou o primeiro single "We Can't Stop" ninguém diria que ela podia voltar a ser tão popular, mesmo que não seja pelos melhores motivos. Lingua de fora, twerks, toda a merda vale para voltar à ribalta, e resultou. Não é de chocar que seja nesta fase que tenha lançado o maior êxito da carreira, "Wrecking Ball". Há miúdas com t-shirts a dizer "R.I.P Hannah Montana", há bananas insufláveis... Mas olha-se para o público presente, e parece que nada mudou desde a menina da Hannah Montana, a maior parte são miúdas entre os 10 e os 16 anos muitas acompanhadas com os pais. Poucos minutos antes do começo do espectáculo anuncia-se que vai ser gravado para um posterior DVD da digressão. Miley entra em palco naquilo a que podemos chamar uma alegoria aos seus novos tempos e à fama que criou de não conseguir manter a língua dentro da boca, já que surge escorregando pela mesma (tão caricato e hilariante). Sim um ecrã gigante projecta a imagem da cara de Cyrus sendo que da boca sai um escorrega a recriar a sua língua em direcção ao palco, de lá sai a cantora obviamente. Na minha opinião foi bem jogado. "SMS (Bangerz)" é o mote do início do concerto com bonecos em palco, bailarinas, twerk, e até uma referência a Britney Spears com uma bailarina mascarada, já que esta faz parte da canção em alguns versos da versão de estúdio. O alinhamento é constituído maioritariamente pelo bem sucedido "Bangerz" que relançou a carreira de Cyrus o ano passado. Com tanto envolvimento em polémicas, até parece que é mais uma que se vai dar durante o concerto mas nem por isso, um twerk ali, uma simulação de orgia acolá... Nada que as outras não façam. Miley faz uma pausa para beber água, mais parece que tá a chupar uma piça, cuspindo água sobre as primeiras filas. De resto há uma competente entertainer à frente do público que apesar de não se esmerar a nível vocal (ela sabe cantar efetivamente), com um espectáculo visualmente variado com várias mudanças cénicas há mudanças no guarda-roupa, há um carro, há um cão gigante, há uma cama onde chega a simular o previsível entre bailarinas e bailarinos, chega a montar-se num cachorro gigante que voa sobre o palco... É concerto Pop ponto final. Miley tá mais preocupada em apelar aos presentes que protejam os animais do que falar em sexo ou drogas, mesmo que isso seja conteúdo das canções apresentadas, no fundo ela tá mais preocupada em dar o seu show do que propriamente ser muito polémica, isso fica para outros momentos, e o facto de não haver ali nada de chocante é o verdadeiro elemento surpresa do espectáculo. Quis cortar com o passado e em 2h30 encheu a set list com mais covers do que êxitos, dos outros tempos chegou "Can't Be Tamed" e "Party In The USA" já no encore a fechar o concerto com direito à Estátua da Liberdade e ao Monte Rushmore em palco e confetti e pirotecnia. A certa altura esteve num palco secundário onde num cenário simples apresentou vários covers desde Coldplay ("The Scientist", grande momento!), a Lana Del Rey, Bob Dylan, Outkast ou Dolly Parton. Até dois temas teve de repetir por questões de filmagem para o DVD da tour. Não tinhas mesmo reportório pa encher o alinhamento, que é feito das antigas "The Climb", "7 Things", "Fly On The Wall" ou "See You Again"? Tudo o que a aproximava dos tempos da Disney ficou de fora, só "Party In The USA" entrou. E guardou o que todos queriam ouvir para o final "We Can't Stop" e claro a mais cantada ontem há noite na MEO Arena, a óbvia "Wrecking Ball". Lá para o meio houve ainda tempo para uma "love cam" eu diria "ring cam" já que era um anel e não um coração, foi durante "Adore You" que Miley incentiva os presentes a beijarem-se enquanto são captados no ecrã... Filmam-se maioritariamente rapazes homossexuais aos beijos no golden circle.
E Miley bazou já eram quase 23h30, eu diria que o grande choque foi o facto de ela ter dado 2h30 de concerto, nunca pensei... Fiquei com a sensação que ela pode ser mais do que abanar o rabo e andar com a língua de fora, há talento ali pra mais, mas gostei mesmo não tendo cometido a proeza de esgotar duas noites como Beyoncé, de tudo tem para ser o espectáculo daquele estilo de música, mais interessante que por aqui vai passar este ano.
A tal entrada em palco...



O cachorro quente (quem é que faz isto?...)

segunda-feira, 17 de março de 2014

Vergonha...

Vai uma tempestade neste copo de vinho (riam-se), se calhar é só isso, mais um estado de falta de sobriedade, agora que optei por deixar o copo vazio a um canto... Talvez seja com o copo cheio que atinja a sobriedade.
"Escolho" mostrar mais de quem sou a quem eu acredito e confio, achei no mínimo importante, terei eu acabado por ceder à pressão? Epa ya, é verdade, lá se foi a máscara por breves instantes... Arrumei o Diogo que muitos conheceram, onde é que está o Diogo que ansiava pela próxima piela de quinta-feira? O Diogo que indiscutivelmente apanhava a puta num rali tascas? O Diogo que quer é festa e todos os eventos da faculdade? Foi-se... pelo menos por tempo indeterminado. Eu devia ter controlo sobre tudo como sempre achava que tinha, não era suposto? Estava-me a sair tão bem... Parecia que ao conseguir manter as aparências durante semanas/meses que levava isto até ao fim. Foi tudo por água abaixo, pensava eu que era feito de betão (seco pelo menos), parece irreversível, não passa daqui, ficou. Outrora eu quase acreditei que tinha total poder sobre as minhas escolhas e "estado psíquico". Mas enquanto se resume a mim, isto ainda vai para a frente - I can deal with that - caso escape para terceiros é quando a ferida abre, já não dá para lidar, cresce a culpa e os remorsos... É melhor nem pensar nisso, mas é inevitável não remoer sobre o assunto que já devia ter uma pedra em cima, vejo que a certa altura regresso aquela sensação de que não se é capaz de levar nada para à frente, ficar aí parado no meu canto. Entro no carro e é hora do espectáculo, é hora de desempenhar um papel cheio de improvisação (tá tudo bem). É a rotina dos últimos 7 anos, criam-se hábitos que se inserem nas rotinas (aula de Etnologia amanhã...). Detesto dar a parte fraca, por mim ninguém via nem uma lágrima a cair, nem que fosse dos olhos a arder por causa de uma merda qualquer... mas cheguei ao ponto em que perdi o controlo sobre a situação, já não me desligo. É um caminho que tenho de percorrer sozinho, nada feito, é o que tem de ser. Mudei o discurso, mencionava-me tímido, agora menciono-me inseguro, são conceitos distintos. Fica aquela vergonha implícita, uma espécie de humilhação indirecta que não se vê, sente-se. Sou uma pessoa, se calhar não parece desculpem se me enganei. Acordo e ligo o robot e fica tudo bem, desde que o sorriso esteja lá a "boa disposição", ninguém vê. Who cares? Hei de me apanhar de copo cheio decadente a questionar quem me vai virar as costas? Riam-se também, tenho de chamar o copo sempre, fodeu. Fui!

domingo, 26 de janeiro de 2014

A controvérsia da Praxe

Ia eu em mais um dos tantos passeios por Lisboa e no meio das gentes que atravessam as ruas do Chiado ou da Baixa, do Rossio ao Martim Moniz, era possível ouvir a conversa alheia e de como a Praxe e as mortes naquela fatídica noite no Meco constituem o tema do momento. Pudera... com a divulgação massiva a que se é exposto diariamente por parte da imprensa, isto em vez de ser algo que só deveria dizer respeito às famílias dos estudantes que faleceram na praia e respetivas pessoas relacionadas, não às ideias e sobreposições do Ti Manel ou da Joaquina. Corre tinta e tinta e a verdade essa ainda se sabe praticamente zero, enquanto essa não é revelada, vivem-se de teorias mal fundamentadas atiradas pela comunicação social e pela opinião pública seja no jornal, na tv ou nos comentários das redes sociais. Pois dessas teorias a comunicação social influência a opinião pública e informa que as vítimas estavam a ser submetidas a um ritual de praxe... "Várias testemunhas apontam para...", "Foram vistos com pedras atadas aos joelhos", "Deixaram os telemóveis em casa"... São várias as manchetes que correm desde o ano passado. Chego ao ponto de ver numa revista cor-de-rosa as imagens das famílias na praia de joelhos lavadas em lágrimas... Eu pergunto-me a que ponto é que chegamos, em que se pega nas mortes de estudantes levados pelo mar e se vendem histórias e teorias como se de uma notícia de que o Justin Bieber foi preso se tratasse. Hoje tivemos o Marcelo Rebelo Sousa em direto da TVI a comparar a Praxe com o bullying logo de seguida temos na Secret Story concorrentes a serem submetidos a um concurso em que têm de mexer em "bichos" para conseguirem ganhar 5000 euros, isto não é uma comparação, são só factos, opiniões. O ponto disto tudo está no facto de esta história ser alimentada para continuar a correr tinta devido à Praxe, a comunicação social sabe jogar, ela está a limitar-se a vender aquilo que o povo quer acreditar. Então passou-se a esquecer que morreram pessoas numa noite na praia, mas passou-se a lembrar que a Praxe deve ser abolida e culpada disto ou daquilo. Será sempre assim, ontem na Igreja eram todos violadores, hoje na Praxe são todos uns criminosos, é assim que a crítica funciona, é assim que a imprensa subsiste. Aquilo que eu mais desejo neste momento é que a verdade venha ao de cima, e que venha não para eu ou o vizinho saber, mas para pelo menos "esclarecer" a dor daquelas famílias que perderam os seus filhos naquela noite, porque enquanto nós estamos aqui a falar e a defender isto ou aquilo, estão a estas famílias a sofrerem e a serem bombardeadas pelos Media e pela conversa alheia. Deixando uma breve opinião sobre as críticas à praxe (sim, isto para mim são duas matérias distintas, mesmo que venha tudo na ordem dos factos apresentados anteriormente, e que exista uma suposta relação da praxe e do acidente), a comunicação social está já cheia de opiniões e de ideias difundidas nos últimos dias acerca da Praxe, e nas mais detalhadas eu vejo sempre na mesma linha Praxe, Bullying, abuso, violência... Há aqui muita generalização como é de costume e também muita falta de conhecimento sobre os temas. Eu sou caloiro eu ESCOLHI ser praxado, ninguém me obrigou e garanto que pelo menos no meu caso e no que assisto e tenho conhecimento não estou a sofrer de bullying, porque essa definição eu também a conheço melhor que ninguém, bullying é ser perseguido durante anos na escola, bullying é verídico, não é aquilo que a Praxe submete, esta procura integrar os novos membros na comunidade académica. Eu sou muito tímido e ainda assim escolhi submeter-me à Praxe, e passei uma semana inteira com um sorriso na cara, numa semana que comecei "inseguro", recordo agora com um momento surreal, inigualável e épico na minha vida. Arrisco em dizer que nem na escola primária a integração foi tão bem sucedida, e que mudou e muito a minha componente social. E não me contem a história de que não integra, porque se eu sou a pessoa introvertida que sou e através da Praxe eu dei-me a conhecer, após os cânticos, os gritos, as danças, havia sempre alguém que procurava conhecer mais e meter conversa. Houve e há sempre alguém que vem falar contigo quando estás em baixo, quando estás com uma puta de uma narsa e não podes ir para casa, alguém para te dizer que te estás a destruir... E não é que após uma semana de Praxe, entrar numa sala de aula a primeira vez é muito menos doloroso porque mais de metade das caras presentes já te são de todo familiares, porque durante a Praxe foste involuntariamente obrigado a conviver, a conhecer as pessoas que te rodeavam, a formular opiniões, a partilhar gostos, a rir... É claro que isto tal como as opiniões anti-praxe, também não é generalizável, isto foi o que me aconteceu, o que aconteceu ao vizinho do lado pode ser diferente. Com a Praxe reinventei-me, com a Praxe integrei-me.